quarta-feira, 17 de julho de 2013

Carta ao meu eterno Tio Mansur, pai e amigo...




Via Ir. Max Hager

Um ano atras, por este horário, chegava em casa triste vindo do Hospital. Havia conversado com os médicos e enfermeiras, e eles, tentavam me preparar para o pior. Já conhecia aquela ‘arenga’, já enterrei meus pais e outro amigo, que tinha como irmão, em Israel. 

O trajeto do Méier à Copacabana, fez-se curto. No fundo do táxi, as lágrimas exprimiam o grito incontido do coração. Não queria perder-te, não podia perde-lo ! Tio Mansur, era e é pra mim, o que restou de família. Um amigo, com os mesmos gostos e tradições parecidas. DeMolay e Maçonaria, Judaísmo e Cristianismo, Livros e Rituais... 

Chorava pelo meu egoísmo, por saber, que não mais poderia parar no supermercado, e levar um ‘caminhão’ de frutas e outras coisas, e mesmo chegando as 23,30 hs, ainda ir pra cozinha, para conversarmos comendo até às 5 da manhã, ainda que sob teus protestos quanto aos meus gastos.

Chorava pela tristeza, do vazio que viria, ao ouvir ‘Fool’s Overture’, ‘If Everyone was listening’, do Supertramp... músicas, que pra mim, exprimem sua vida e seu legado, tinha medo que esse dia chegasse, como chegou. 

Como correram estes dias, desde o dia em que chegastes ao Hospital, até o fatídico dia 17 de Julho... mesmo cansado por estes exaustivos dias, lembro-me que tentei dormir, mas o sono não vinha... quando chegou, não demorou, para que a mensagem as 5,59 hs de tua filha e minha ‘irmã’, trouxesse a triste notícia. Era como parte de mim tivesse morrido, uma parte brilhante e vívida, nobre e jovem...

Tua ausência, logo se notou nos dias a seguir. Aqueles que te cortejavam, e demonstravam um certo respeito, logo mostraram pro que tinham vindo... As faces tristes que nas tuas exéquias, no meio de centenas de jovens e adultos quiseram demostrar perda, não tardou a serem delatadas por seus atos vis... Ficou claro, nunca gostaram de ti e nem da Ordem, estavam, como estão, por eles próprios, por medalhas sem brilho, e falsas posições, que escondem a realidade da inexpressiva e medíocre atuação nas lides maçônicas.

A loja que assinastes como fundador, e eu havia me iludido que serias o primeiro Venerável Mestre, enquanto você brigava comigo e reiterava que eu seria o Ven., foi fundada com teu nome, e apesar de jovem, já iniciou 10 candidatos, destes 8 demolays, e outros mais estão a caminho. Outras lojas estão sendo fundadas, e levarão o mesmo nome... Apresente minhas desculpas ao Tio Land por isso, sei o quanto ele foi grande, mas... Não convivi com ele, convivi contigo !

Foi-se um ano... doido, triste e vazio ! Não creio que conseguirei ter outro amigo, como fui teu e você de mim... Não tenho mais animo, para brigar por alguém, como fiz por ti... Não vejo irmãos de teu quilate, com raras exceções de um Newton Alcântara, Ronaldo Soliva, e mais um ou outro... Mas, estes ainda que grandes irmãos, não tem a dupla paixão que tínhamos, digo maçonaria e demolay... nem 25 anos de convivência... 

Não nego que hoje tenho mais medo de fazer amigos... é muito ruim perder quem amamos... mas, o que fazer ? Privarmos nossa amizade daqueles que respeitamos e reciprocamente, e de maneira egoísta, nos fechar pro mundo ? Não seria justo... 

Conto os dias, em que nos veremos outra vez... pra te ser sincero, estou ansioso ! As companhias daí, por vezes, me parecem mais salutares que as daqui... pelo menos te garanto que, enquanto aqui estiver, teu nome será honrado e tua memória defendida. 

Caso a Ordem sobreviva aos desmandos de lá, e aos de cá, que os jovens no futuro possam saber, que um homem idealista e simples, abriu mão de um ‘poder’ relativo e razoável, para defender uma organização, que muitos no passado à chamavam de ‘grupo de moleques’, e proibiam seus templos, e hoje, ‘brigam’ por nós. Pra quem não sabe, o poder de Soberano Grande Comendador, corrompe tanto, que aquele que te traiu, e combinou ficar dois lustros de anos, já começou o quarto lustro, e enquanto o ‘coisa ruim’ não chama-lo, ele vai se fazendo de rogado...

Ore por nos... já que estais próximo do Ch-fe, e avise a turma, que breve estaremos por aí... Lembranças aos meus pais, ao Pike, ao Tio Cunha, Tio Nilo, Tio Raimundo, Tio Land, Tio Venâncio, Tio Pereira Salerno, Tio Arlindo dos Santos, Tio Orestes, e tantos outros homens dignos que foram seus pares, e que faltaria espaço aqui, para nomeá-los...

Ahhhhh, antes que me esqueça, sei que o senhor não se interessava muito por eles, e apesar de já ter comentado sobre o mesmo acima, digo, o chefe da choldra, o Sr. Torres, ele ainda não foi pro andar debaixo, talvez por falta de espaço... lá pulula gente ruim, ou então, pelo capiroto não gostar de concorrência. A dor na consciência da súcia, fez com que eles mandassem fazer um busto em tua homenagem... coitados, eles não entenderam que o nome demolay está gravado em nossos lábios, mas o teu, estará ad eternum, em nossos corações !

Bença meu Pai e amigo, e até breve ! 

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