sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lorraine e Escocesismo, mais que um território em disputa!




A cruz de lorena, ou Lorraine no francês original, é um dos maiores símbolos do sistema maçônico, conhecido como Rito Escocês Antigo e Aceito. Mas pouco se discute, de sua origem e real significado. Pra quem conhece França, o quiche lorraine tenha nos dias atuais, celebrizado aquela região, ainda que não me diga muito pelo bacon que leva em sua composição. Entretanto, fugindo da gastronomia, tentemos aplacar nossa fome de conhecimento, no rol da história...

Lorraine, muito legou ao mundo, com vários de seus filhos ilustres, Joana D’Arc, Bruno D’Eguisheim-Dagsbourg - o Papa Leão IX, e mais recente o sociólogo Émile Durkheim e Michel Platini. Não longe dali, nasceu também Jacques DeMolay, ainda que naquela época - 1244 - Vitrey pertencesse à Borgonha. 

Todos sabemos, que a II Grande Guerra, teve na disputada região da Alsácia Lorena ( Alsace-Lorraine, em Frances ou Elsass-Lothringen, em Alemão ), uma boa desculpa para seu ‘estopim’, uma vez que, os alemães com a desculpa das minas de ferro e carvão da região, tentaram ocupar a estratégica região, que faz hoje fronteira com Bélgica, Luxemburgo e a Alemanha. 

Alguns, tentam sugerir algo mais, do que o orgulho ferido dos alemães, em reocupar a região perdida, na I Grande Guerra Mundial. Fatores outros, mais importantes do que uma simples revanche estavam em jogo. E nesse jogo, não temos como descartar o Templarismo, os Carolíngios e muitos mitos que cercam aquela região.

Voltando ao passado, Lorraine foi palco do armístico de Westfália ( Alsácia ) e uma das ultimas cidades, do Sacro Império Romano-Germânico. Aqui já poderíamos quase que findar nossas buscas, uma vez que teríamos respondido o motivo pelo qual a direção dos supremos conselhos do mundo, se denominam Sacro Império, e sendo assim, a associação legítima da Cruz de Lorena. Entretanto, “pesquisa mingau”, aquela que só ‘come’ pelas bordas não tem graça...

Antes do Sacro Império, no século V, os hunos protagonizaram uma grande migração, para muitas cidades europeias. Nessa época os merovíngios - ou seus ancestrais - cruzaram o reno e se estabeleceram na gália, o que hoje seria parte da Bélgica e norte da França. Esse reino era chamado de Austrasie, e seu centro, nossa pesquisa Lorraine.

Entretanto, precisaríamos pesquisar um pouco mais quem foram os merovíngios, ou quem seriam seus descendentes. É dito que houve um personagem histórico chamado Mérovée, e de seus descendentes sicambrianos, seu filho foi o primeiro Rei oficial dos Francos. Aqui somente poderíamos escrever um extenso trabalho, e sugiro aos interessados, uma meticulosa e dedicada pesquisa... Como de maneira plácida e civilizada, os descendentes de esvoaçantes cabelos amarelos, estabeleceram cultura e conhecimento, naquela região.

O Reino dos Merovíngios, não era brutal como os Vikings ou os Hunos, não, acabou se consolidando através da agricultura e do comércio, práticas bem comuns aos judeus, e seus trabalhos de alta qualidade, podem ser avaliados nas moedas de ouro, onde encontramos pela primeira vez, cunhada a cruz de Lorraine, que passou a ser um dos símbolos da região.

Interessante lembrar, que os filhos de sangue merovíngio, já eram considerados ‘capazes’ a partir dos doze anos ( os judeus aos treze ), sem coroação ou unção, necessários ! Como os patriarcas da Torah, eram polígamos, vindo a ser tornar monogâmicos, quando da associação com a Igreja. 

Quem mais celebrizou tal dinastia, foi Clovis I, que reinou entre 480 e 511. Convertido ao Catolicismo romano, foi através dele, que a Igreja se estabeleceu na Europa. Assim, foi denominado após sua ‘conversão’ de Novus Constantinus. Nas palavras de Saint Remy, “Mitis depone colla, Sicamber, adora quod incendisti, incendi quod adorasti.” - Inclinai vossa cabeça humildemente, Sicambriano, reverencieis o que haveis queimado e queimai o que reverenciavas !”

Infelizmente, a fidelidade da Igreja, não durou tanto. Com a morte de Clóvis, seus quatro filhos sucederam diferentes reinos e com os frequentes rivais, e conflitantes sucessões, não demorou muito para que fossem conhecidos por, ‘les rois fainéant’ - os Reis Enfraquecidos. Assim, Dagobert - neto de Clóvis - sob perigo de morte, foi exilado na Irlanda e mais adiante se estabeleceu em York - Inglaterra. 

Bem meus Irmãos, até aqui escrevemos muito, e talvez perguntem os senhores: ' Porque ir tão longe ?’ Bem ! Dagobert foi morto, virou santo e um de seus descendentes, Godfroi de Bouillon, neto do Duque de Lorraine, em 1093, mobilizou um exército para resgatar da Igreja de Stenay, onde estava as relíquias de Dagobert, e devolvê-las à Abadia de Gorze.

Mais a frente, nasce o pacto da unção. Traídos os merovíngios, com a morte de Dagobert, pelas mãos da Igreja, precisaríamos de uma nova forma de pacto. Assim em 800, a igreja estabelece a Unção, como forma de sob novo ritual, “fabricar” reis. Dessa forma, Carlos Magno, é coroado e a igreja estabelece, o pretexto de autorizar o ‘governo’ de alguns, somente com sanção papal.

Assim em 1118, ainda que alguns digam que oi em 1114, os templários com ajuda da família de Godfroi, mais especificamente sua Tia, Mathilde de Toscane, Duquesa de Lorraine, são estabelecidos, e assumindo as regras de S. Bernardo de Clairvaux, este Cisterciense, de maneira apoteótica, se tornam uma das mais ricas Ordens da Cristandade. 

Caso analisemos com mais atenção, veremos que as contribuições de Lorraine, foram cruciais para o advento dos Templários e outras organizações, um pouco ‘distantes’ da Igreja. 

Mais adiante, em 1550 a casa Lorraine e Guise, tentam em conjunto exterminar a linhagem Valois e assim, reivindicar o trono Frances. Assim veremos que havia uma forte ligação, com outra organização, também cercada de mistério, digo, o Monastério do Sinai.

Curiosamente, não são poucos os que associam o Rito Escocês, como forma de restabelecimento dos Stuart ao trono inglês. Assim, temos uma trama, onde a menor ficha, seria o Rito Escocês Antigo e Aceito, no meio da Companhia do Santo Sacramento, do ‘Monastério de Sion’, e do ‘Saint Sulpice’... Um pouco desta história é contada nos altos graus, como a ‘cabeça das três faces’ ou erroneamente chamado Baphomet, quando o que queriam dizer talvez fosse uma transliteração do árabe - 'abufihamet', pai da compreensão ou pai da sabedoria, onde pai, também pode ser entendido como fonte... ou o próprio escudo da casa de Payens, pudesse explicar alguma coisa...

Bem meu irmãos, muitas são as conjecturas, mais ainda as conexões e afirmações extravagantes, onde não sabemos, onde nasce o mito ou a mentira. Porém, com a internet e tantas bibliotecas, além dos próprios rituais, algo pode e merece ser desvendado, assim com a aurora das nações se aproximando, a quinta hora é chegada, basta que o interesse dos nossos irmãos e a vontade de ir além, fomente nos senhores, a prática do estudo e o deleite de redescobrir, o que estava tão próximo de nos, e com olhos vendados parecia-nos tão inacessível... 

Bom estudo !

Max Hager
ARLS GM Alberto Mansur #3196 GOB
Internet Lodge #9659 UGLE

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