sábado, 26 de abril de 2014

MAÇOM E PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Sou muito agradecido aos amigos e amigas, leitores de todo o Brasil, que inclusive compartilham pela internet nossos artigos publicados aos sábados pelo "Diário da Manhã". Encontro que me traz enriquecimento com novas amizades, na maioria nos distinguindo em concordância, outros a quem considero, valorizo e agradeço da mesma forma pelas sugestões e críticas às abordagens aqui publicadas. Produzo este, em fraternidade ao maçom José Augusto Moreira Leme, Deputado Federal Maçônico da Loja "Independência" nº 131, fundada em 23 de novembro de 1867, na progressista e histórica "Campinas", de São Paulo. Um dos muitos que nos compartilham pela sua extensa agenda. Falou-nos de Campos Sales. Quem foi Campos Sales?

Manuel Ferraz de Campos Sales, nasceu em Campinas - São Paulo, no dia 15 de fevereiro de 1841 e morreu em Santos na data de 28 de junho de 1913, com 72 anos. Autor de ações marcantes e eternas na história do Grande Oriente do Brasil como maçom e estadista em nosso país, ocupando altos cargos, coroados pela eleição com 57 anos para presidente da República, que exerceu de 15 de novembro 1898 a 15 de novembro de 1902, antecedido por Prudente de Morais e sucedido por Rodrigues Alves. Recebeu alta confiança da população brasileira, totalizando 420.286 votos contra 38.929 do seu principal oponente, Lauro Sodré.

Com 22 anos, concluiu o curso de Direito, de imediato montando seu escritório, com intenso exercício profissional em paralelo com atividade política, como republicano histórico que foi. Entre os cargos para os quais foi eleito registramos. Vereador, deputado provincial (o que é hoje o deputado federal), de 1867 a 1889. Com a proclamação da república foi nomeado ministro da justiça. Senador, presidente do estado de São Paulo em 1896, quando renunciou para ser candidato a presidência da República. Teve sérias divergências com o ministro da Fazenda, também maçom, Ruy Barbosa, quando foi criado um sistema emissor que se baseava em lastreamento por apólices da dívida pública, fator destacado na crise financeira conhecida como Encilhamento.

Assumiu o mais alto cargo do país em época que a economia, baseada na exportação de café e borracha não ia bem. A desvalorização da moeda causava inúmeros problemas. Seu governo não teve influência política e deles ficou longe, logo de início expressando sua visão:
"Entendi dever consagrar o meu governo a uma obra puramente de administração, separando-o dos interesses e paixões partidárias, para só cuidar da solução dos complicados problemas que constituem o legado de um longo passado. Compreendi que não seria através da vivacidade incandescente das lutas políticas, aliás sem objetivo, que eu chegaria a salvar os créditos da nação, comprometidos em uma concordata com os credores externos".

Seu ministério foi de técnicos não ligados à política partidária.

Na economia decidiu que a resolução do problema da dívida externa era o primeiro passo a ser tomado. Em Londres, Campos Sales e os ingleses estabeleceram um acordo, suspendendo o pagamento dos juros da dívida externa por 3 anos, e o seu pagamento por 13 anos, iniciando a ser quitada em 1911, com o prazo de 63 anos, ficando hipotecadas aos banqueiros ingleses, as alfândegas do Rio de Janeiro e Santos. Em seguida partiu para o saneamento econômico, combatendo a inflação, não mais emitindo dinheiro e retirando de circulação uma parte do papel moeda emitido pelos governos anteriores. Combateu o déficit orçamentário, reduziu as despesas e aumentou a receita, cortando o orçamento do governo federal.

Estadista corajoso, determinado, mas que não conquistou a simpatia popular do povo do Rio de Janeiro. Retirou-se tranquilo e com a consciência do dever cumprido, embora tenha sido vaiado pela população carioca, no trajeto entre o palácio da presidência e o trem que tomaria de volta à São Paulo. Mas transmitiu ao seu sucessor Rodrigues Alves "Uma casa em ordem, com a escrita equilibrada, tendo como saldo sua probidade, tolerância e a firmeza, com quem respeitara os seus compromissos de governo". Já em São Paulo, foi recebido com aplausos populares. Estudantes da faculdade de direito, tentaram articular, sem sucesso a sua volta a presidência da república. Em 1909 voltou à política, como senador e foi no exercício deste cargo que a morte veio encontrá-lo em 1913.

Este é um maçom, cidadão que há quase 150 anos atrás tinha visão e coragem, valor ausente dos administradores públicos de hoje. O Brasil a cada dia que passa torna-se administrado pelos interesses políticos partidários, tão combatidos por Campos Sales. Ruas, avenidas, bairros e praças recebem seu nome, homenagens também prestadas com as denominações das cidades de "Campos Sales", no Ceará e Salesópolis, em São Paulo.

Faço um registro especial e agradeço ao maçom e historiador Francisco Stolf Netto, integrante da Loja Maçônica "Independência" nº 131, onde Campos Sales iniciou, após uma semana de sua fundação, ocorrida em 23 de novembro de 1867. É portador da Comenda Dom Pedro I, de quem me vali para escrever em síntese, sobre o maçom e presidente da república, Manoel Ferraz de Campos Sales. Loja sediada no centro de Campinas, exatamente na Av. Dr. Campos Sales e que com muito vigor participava e participa ativamente com seus membros, da vida social e política da cidade, da região e da nação. Foram seus fundadores, Pedro Ernesto Albuquerque, Joaquim de Oliveira, Antônio Firmino de Carvalho e Silva, José Bento Pereira dos Santos, José Henrique Ponter, João Lopes da Silva, José Ribas D'Avila, Benedito Camargo Pedroso, José de Souza Teixeira, José Manuel Cerqueira Cezar, Francisco Pedroso da Silva Barros, liderados por Joaquim Vieira de Carvalho.

Hoje é administrada por uma diretoria composta por Marcos Antônio da Costa, Lúcio Antonio Geraldi, Paulo Sérgio Nonatto de Carvalho, Marino De Tella Ferreira, Paulo Roberto Policastro, Edson Tomaz e Zilião, Antonio Augusto Kauã, José Augusto Moreira Leme e José Alberto Brigo.

O Brasil precisa muito de "Maçom e Presidente da República", como Manuel Ferraz de Campos Sales.

Artigo do Sap. Ir. Barbosa Nunes
G.M.G. Adj. do GOB

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