quinta-feira, 5 de junho de 2014

Maçonaria e Sociedade



Antes de explorarmos o papel que deve existir entre a Maçonaria e a Sociedade, é necessário que tenhamos claro que uma das conceituações mais importantes da Ordem diz: “A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filantrópica, educativa, filosófica e progressista”. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus postulados supremos são: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Com base nesses princípios é preciso que entendamos que nenhuma sociedade será verdadeiramente justa e humana enquanto persistir as desigualdades de oportunidades, enquanto houver exploradores e explorados, enquanto presenciarmos os direitos humanos e as liberdades individuais das pessoas serem deliberadamente violadas.

É certo que a sociedade brasileira vive hoje uma crise aguda de homens e de idéias. Estamos observando, atônitos, o Brasil se debater em obscuro lamaçal formado pela corrupção, a decadência dos costumes e uma derrocada da moral. Condições subumanas de sobrevivência da grande maioria da nossa gente, em chocante contraste com o fausto de pequena minoria. A violência crescendo exponencialmente sob todas as suas formas. A coisa pública sendo mal gerida em quase todas as áreas. A política econômico-social erigida em detrimento da grande maioria dos brasileiros e para benefício de uns poucos.

É claro que temos responsabilidade nesse quadro. Não podemos assistir impassíveis e aparentemente impotentes toda esta situação. É preciso que empunhemos a bandeira da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para combater este quadro que assola a nossa sociedade. É preciso que saibamos que não haverá paz social sem o saneamento da miséria e a diminuição da violência, se não houver efetiva igualdade de oportunidade para todos e se todos não tiverem igual acesso aos bens de progresso, à saúde, à habitação, à alimentação, ao ensino e ao bem-estar social.

É preciso que saibamos que não haverá sentimento de unidade entre os homens se não houver Fraternidade entre os mesmos. Fraternidade consubstanciada no amor, no apoio e no interesse pelo próximo, independente de suas idéias, raça, religião ou posição social.

É chegado o momento mais uma vez de parar, refletir e questionar: que papel a Maçonaria deve desempenhar na sociedade? Estamos cumprindo a nossa obrigação de construtores sociais? Nosso trabalho tem gerado mudanças benéficas à estrutura desta sociedade? Temos tentado encontrar saídas para os graves problemas com que nossa sociedade se defronta? É claro: sendo a Maçonaria uma instituição que visa tornar o homem melhor e cultivar o amor fraternal entre as pessoas, não caberia a ela também uma parcela de responsabilidade sobre o caos social que estamos vivendo?

Entendemos que não cabe à Maçonaria enquanto instituição encampar os problemas sociais que vive o País. A Maçonaria deve ficar isenta. Ao contrário dos seus membros. Estes sim, devem ser ativos, inconformados, fustigadores e principalmente instrumentos de mudanças. Cabe-lhes mostrar e preparar os homens, que devem levar adiante a bandeira dos postulados maçônicos. Eis a verdadeira missão.

Avante, não pelo engrandecimento da Maçonaria, pois, como instituição, ela prescinde de nossas preocupações; mas para nos pormos à altura dela, pequenos que somos diante do que ela representa perante a sociedade na formação de homens de virtude e de bons costumes.

Afinal, não é a escola que promove mudanças, mas os homens que ela abriga. A Maçonaria é uma escola de homens livres e de bons costumes. A estes sim, cabe parcela de responsabilidade na solução da crise social que estamos vivendo e, finalmente, através do exemplo e da ação, sejamos sempre não só interpretes, mas principalmente instrumentos de mudanças que a sociedade tanto reclama.



Ir. Celso Cerchiari
Loja Rodrigues Silva, 200 - São Paulo - SP
Fonte: Editora Cinzel

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